Escolha uma Página

40677-original-7269

ESCORPIÃO – signo solar dos nascidos aproximadamente entre 23 de Outubro e 21 de Novembro (a verificação da hora de nascimento é de enorme importância para percebermos exatamente em que grau se encontra o Sol). Signo regido pelo planeta Marte, modo fixo, elemento água.

Nota prévia para o leitor – este texto pretende ser uma informação sobre os pontos que caracterizam o signo Escorpião e não substitui (de todo) uma consulta de Astrologia – todas as pessoas possuem o seu mapa natal baseado no dia, mês, ano, local e hora exacta de nascimento e todo um contexto de vida; os signos solares e suas características não definem por si só quem somos.

Quando o Outono se aprofunda e instala de forma mais concreta e visível, chega Escorpião.

Se usarmos a metáfora da infância, Escorpião é uma criança silenciosa, observadora, extremamente sensível mas que não pretende revelar-se a qualquer um. O seu mundo interior é um turbilhão: deseja ser amada por todos os que o rodeiam mas nasce com a profunda percepção de que isso nunca será possível. Nada esquece e tudo processa de forma emocional, acumulando e usando o lado sentimental para julgar e avaliar tudo o que vive.

Deixando para trás os usuais epítetos que até os próprios nativos de Escorpião se atribuem sobre o seu signo solar (“mau-feitio”, “intenso”, “complicado”), pretendemos apontar algumas das direcções do caminho do Escorpião. A intenção deste texto não é generalizar, antes clarificar a percepção de quem vive ou convive com esta energia de perto.

scorpio

Se até a Deusa Kali, na mitologia védica, representa não apenas uma divindade feminina destruidora mas um dos alter egos de Shiva ou uma manifestação de Parvati a deusa esposa de Shiva, Escorpião tem também várias formas de se manifestar que dependem sempre do ambiente em que se insere e da aprendizagem que veio fazer nesta vida.

O mito da Fénix enquanto ave mitológica oriunda da Etiópia, que se pensa ter sido uma reinterpretação do mito egípcio do Benu, ave única da sua espécie que quebrou o silêncio com um enorme grito logo após a criação do mundo primordial e que simbolizava de igual modo o reconhecimento da vida (origem) e da morte (fim que dá origem a mais vida), é referido por Pierre Grimal nas duas  variantes greco-romana: a Fénix, águia de dimensões consideráveis e a única da sua espécie, preparava ela mesma a sua pira funerária perfumando com ervas e incenso um ninho funerário. Na primeira versão, a Fénix entraria em auto-combustão e das suas próprias cinzas nasceria uma nova ave; na segunda versão, a Fénix impregna a pira funerária com o seu próprio sémen, e nasce então uma nova ave que carrega o corpo da sua progenitora morta voando escoltada por um bando de aves de outras espécies, num cortejo fúnebre singular, até que a deposita no sul do Egipto no templo do Sol.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=MHB3N88kl6E&w=560&h=315]

Há uma familiaridade entre este mito e a energia de Escorpião, capaz de recomeçar do zero, capaz de se levantar mais forte depois de um desafio de vida doloroso, não se importando de remexer em lixo emocional, o que pode ser favorável no processo de aceitação da dor como parte integrante da vida, mas pode ser menos positivo quando há uma total perda de racionalidade no meio de tantas emoções-limite e um certo vício ou tendência para se associar a situações pouco saudáveis para si mesmo.

O mito da Fénix ajuda-nos a lembrar que existe um lado de auto-sabotagem no Escorpião que deve ser trabalhado de forma construtiva, para que não perca tempo com revoltas e raiva absolutamente inúteis e que não impactam positivamente em nenhum aspeto da sua vida.

Em termos gerais, podem ser pessoas que não gostam de intromissões na sua privacidade, são reservadas e observadoras, percebem claramente a hostilidade quando paira no ar, tomam partido pelos injustiçados e pelos underdogs, revelando também um sentimento de atracção enorme pelos mistérios e segredos mais ocultos dos indivíduos. Pode haver uma capacidade acima do normal para reparar nas fraquezas alheias e para descobrir segredos que se pensavam completamente enterrados.

O sexo é uma das formas preferidas de se ligar ao outro no sentido de fusão entre duas entidades que o Escorpião, quando ama, deseja ardentemente que sejam uma só, como se de um novo ser se tratasse.

Dane Rudhyar aponta como uma das características deste arquétipo a necessidade de usar o sexo como uma via para uma maturação da espiritualidade, ou seja, uma ligação ao outro que leva a um êxtase que os deixa mais perto de Deus ou do divino.

tantra.jpg

Um dos mais belos tesouros do Escorpião é a capacidade quase ilimitada de dedicação àqueles que ama. Tem uma enorme dificuldade em aceitar uma mentira ou não ser levado a sério. Precisa de escavar até à última de todas as respostas e o seu grande desafio neste aspecto poderá ser o de saber lidar de forma mais constante e racional com essas respostas quando elas (sempre) aparecem.

edit-943-1446847407-14

Uma das lições para quem reflete na sua carta natal esta energia escorpiónica é a de aceitar que de tanto se colocar o dedo na ferida do outro, terá de aprender a também ser pressionado nas suas próprias feridas por quem mais ama e melhor o conhece. Tem de aprender a transformar a sua acutilância e por vezes crueza  em amor e dedicação positiva às pessoas certas e assim desabrochar em toda a sua capacidade de regeneração, transformação e cura (seja ela espiritual ou física), abandonando toda e qualquer tendência para comportamentos obssessivos que não são senão um desvio do seu principal caminho: amar de forma profunda e transformar-se a si mesmo e aos que ama em alguém melhor e mais luminoso.

No seguimento deste artigo publicarei algumas dicas práticas para uma integração mais positiva desta energia para todos os que possuem de alguma forma Escorpião no seu mapa natal.

Boa semana!

Joana Amoêdo Leite

Bibliografia usada:

BAILEY, Alice. The Labours of Hercules – An Astrological Interpretation. Lucius Publishing New York, 2000 (edição original: 1974)

BURT, Kathleen. Arquétipos do Zodíaco. São Paulo, Pensamento. 1988.

CIRLOT, Juan Eduardo. Dicionário de Símbolos. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1999. (edição original: 1969).

GRIMAL, Pierre. Dicionário da Mitologia Grega e Romana. Difel, 1999. (edição original: 1951).

RUDHYAR, Dane. A Astrologia da Transformação. São Paulo, Pensamento. 1980.

RUDHYAR, Dane. Tríptico Astrológico. São Paulo, Pensamento. Sem data.